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Uma Abordagem Ética à Proteção Ambiental
A paz e a vida na Terra estão ameaçadas por atividades humanas não
compromissadas com valores humanitários. A destruição da natureza e seus
recursos são resultado da ignorância, da cobiça e da falta de respeito
pelos seres vivos, incluindo nossos próprios descendentes. As gerações
futuras herdarão um planeta extremamente degradado, caso a paz mundial
não se efetive e a destruição da natureza continue nesse ritmo.
Nossos ancestrais viam a Terra como rica e generosa, o que ela realmente
é. Muita gente no passado também via a natureza como inexaurivelmente
sustentável. Está comprovado que caso cuidemos bem da Terra, ela pode
ser efetivamente uma fonte inesgotável de recursos.
Não é difícil perdoar a destruição causada à Terra no passado, fruto da
ignorância. Hoje, contudo, temos fácil acesso a todo o tipo de
informação e é essencial que examinemos eticamente o que herdamos, quais
são nossas responsabilidades e o que passaremos para as gerações
vindouras. Muitas dessas gerações poderão não conhecer habitats,
animais, plantas, insetos e microorganismos da Terra. Temos a capacidade
e a obrigação de agir e devemos fazê-lo antes que seja tarde demais. O
mesmo cuidado que temos em cultivar relações pacíficas com nossos
semelhantes, deve ser estendido ao meio ambiente.
E não apenas por uma questão moral ou ética, mas pela nossa própria
sobrevivência. Para a geração presente e para as futuras, o meio
ambiente é fundamental. Se o explorarmos exaustivamente, podemos receber
algum benefício hoje, mas, em longo prazo, sofreremos as conseqüências.
Quando o meio ambiente se altera, as condições climáticas também se
alteram e, por conseguinte, nossa saúde está sendo muito afetada.
Repetindo, a conservação não é meramente uma questão moral, mas sim da
nossa própria sobrevivência.
Portanto, para conseguirmos proteção e conservações ambientais mais
eficazes, é essencial que o ser humano desenvolva um equilíbrio interno.
O desconhecimento em relação à importância da preservação do meio
ambiente causou graves danos à humanidade. Precisamos agora ajudar as
pessoas a compreenderem a necessidade urgente da proteção ambiental para
a nossa sobrevivência.
Se você quer ser egoísta, então seja sábio e não mesquinho em seu
egoísmo. A chave está no nosso senso de responsabilidade universal. Essa
é a verdadeira fonte de luz, a verdadeira fonte de felicidade. Se
esgotarmos tudo o que estiver disponível na Natureza, como árvores, água
e sais minerais, e não fizermos um planejamento adequado para as
próximas gerações, para o futuro, certamente estaremos em falta.
Entretanto, se tivermos um verdadeiro senso de responsabilidade
universal como força motriz, nossas relações com o meio ambiente e com
nossos vizinhos serão bem mais equilibradas.
Por último, a decisão de salvar o meio ambiente deve brotar do coração
do homem. Clamemos a todos para que desenvolvam um senso de
responsabilidade universal fundamentado no amor, na compaixão e na
clareza de consciência.
Minha mensagem é a prática do amor, da compaixão e da bondade. Estas
qualidades são muito úteis para vivermos nosso cotidiano mais
harmoniosamente, e também muito importantes para a sociedade humana como
um todo.
Uma profunda compaixão é a raiz de todas as formas de adoração.
Onde quer que eu vá, sempre aconselho as pessoas a serem altruístas e
bondosas. Tento concentrar toda a minha energia e força espiritual na
disseminação da bondade. É o que há de mais essencial.
A bondade é o que realmente importa. A bondade, o amor e a compaixão
combinados são sentimentos que levam à essência da fraternidade. São os
alicerces da paz interior.
Com sentimentos de ódio e rancor, é muito difícil alcançar a paz
interior. Neste sentido, as religiões e crenças são convergentes. Em
todas as grandes religiões do mundo, a ênfase é no espírito de
fraternidade.
São os inimigos que verdadeiramente nos ensinam a vivenciar sentimentos
de compaixão e tolerância. As guerras surgem porque não há compreensão
do lado humano das pessoas. Ao invés de conferências e encontros
políticos, por que não convocar as famílias a fazerem um piquenique para
que se conheçam mutuamente, enquanto suas crianças brincam juntas?
Nos tempos antigos, quando havia uma guerra, o embate era corpo a corpo.
O vitorioso entrava em contato direto com o sangue e o sofrimento do
inimigo durante a batalha. Hoje, as guerras adquiriram uma proporção
muito mais horrenda. Um homem, sentado em uma sala, aperta um botão e
mata milhões de pessoas instantaneamente, sem ao menos ver o sofrimento
humano que infligiu. A mecanização da guerra e a automação dos conflitos
humanos são, cada vez mais, uma ameaça à paz mundial.
Dalai Lama
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